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Sentença de Pronúncia: o que é e quando recorrer

Descubra a função da sentença de pronúncia e conheça as estratégias de recurso para advogados atuantes no Tribunal do Júri. Saiba quando e como recorrer.

Por Giovanna Fant - 11/08/2025 as 12:16

O que é Sentença de Pronúncia?

A sentença de pronúncia é uma decisão judicial proferida na primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri, em que o juiz constata a existência de indícios suficientes de autoria ou participação do réu em um crime doloso contra a vida, determinando o encaminhamento do caso para julgamento pelo Tribunal do Júri. 

Basicamente, é um juízo de admissibilidade da acusação, em que o juiz verifica a materialidade do fato e os indícios de autoria, sem adentrar no mérito da causa. 

Prevista entre os artigos 413 e 419 do Código de Processo Penal (CPP), a pronúncia ocorre quando o juiz, após análise das provas apresentadas, entende a existência de elementos suficientes para levar o réu a julgamento pelo Tribunal do Júri, onde os jurados determinarão a culpabilidade do acusado. 

Finalidade da Sentença de Pronúncia

A sentença de pronúncia, no processo penal, visa o encaminhamento do réu ao julgamento perante o Tribunal do Júri, uma vez que haja indícios suficientes de autoria ou participação em um crime doloso contra a vida. 

Tal decisão, proferida pelo juiz, encerra a primeira fase do procedimento do júri, em que se avalia a admissibilidade da acusação. 

A pronúncia é uma decisão interlocutória mista não terminativa, isto é, que não encerra o processo, mas define que o caso será julgado por um conselho de sentença no Tribunal do Júri. 

A sentença de pronúncia:

- Avalia a materialidade do crime

- Verifica a presença de indícios suficientes de autoria

- Não adentra no mérito da causa

- Determina os limites da acusação

Com isso, essa ferramenta é um marco importante no procedimento do Tribunal do Júri, indicando a presença de elementos suficientes para que o réu seja julgado por seus pares. 

Sentença de Pronúncia, Impronúncia, Absolvição Sumária e Desclassificação: qual a diferença entre os termos?

A pronúncia leva o caso ao Tribunal do Júri, enquanto a impronúncia encerra o processo por falta de provas. A absolvição sumária encerra o caso com uma decisão de mérito favorável ao réu, e a desclassificação altera a tipificação do crime, tirando-o da competência do Júri. 

Sentença de Pronúncia

A pronúncia é uma decisão interlocutória mista não terminativa que acontece na primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri. É o momento em que o juiz constata a existência da materialidade do fato e indícios suficientes de autoria ou participação no crime. 

A pronúncia encaminha o caso para julgamento pelo Tribunal do Júri, que é o juízo competente para julgar crimes dolosos contra a vida e outros crimes semelhantes.

O recurso cabível contra a pronúncia é o Recurso em Sentido Estrito (RESE).

Impronúncia

A impronúncia trata de uma decisão que impede o seguimento do processo ao Tribunal do Júri. Ocorre quando o juiz não encontra provas bastantes da materialidade do crime ou indícios de autoria ou participação. 

O processo é provisoriamente encerrado, sem julgamento pelo Júri. Entretanto, caso surjam eventuais provas, pode haver a reabertura processual dentro do prazo prescricional. 

O recurso cabível contra a impronúncia também é o Recurso em Sentido Estrito (RESE). 

Absolvição Sumária

A absolvição sumária se dá por uma decisão de mérito que ocorre na primeira fase do procedimento do Júri. Nela, o juiz, de forma fundamentada, absolve o réu. 

Pode ocorrer quando comprovada a inexistência do fato, a não participação do réu no crime, a atipicidade da conduta, ou a existência de causa de exclusão do crime ou isenção de pena. 

O processo é, então, extinto, com julgamento de mérito favorável ao réu. 

O recurso cabível contra a absolvição sumária é a Apelação.

Desclassificação

A desclassificação é quando o juiz, na análise do caso, entende que o crime imputado ao réu não é da competência do Tribunal do Júri, ou seja, não caracteriza um crime doloso contra a vida, e o remete para o juízo comum, competente para o julgamento de outros tipos de crime. 

O trâmite processual no rito do Tribunal do Júri é encerrado, seguindo para o juízo comum. 

O recurso cabível contra a desclassificação é o Recurso de Sentido Estrito (RESE).

Efeitos da Sentença de Pronúncia

No processo penal brasileiro, a sentença de pronúncia tem como principais efeitos a remessa do réu ao julgamento pelo Tribunal do Júri, a preclusão da discussão sobre a materialidade e indícios de autoria, e a possibilidade de interrupção da prescrição. 

Além disso, a pronúncia pode fundamentar a decretação ou manutenção da prisão preventiva e limitar a linguagem da acusação em plenário. 

Submissão ao Tribunal do Júri

Este é o efeito mais imediato e importante da pronúncia: a remessa do réu para julgamento pelo Tribunal do Júri, órgão competente para o julgamento de crimes dolosos contra a vida. 

Preclusão

A decisão da pronúncia impede que a decisão sobre a materialidade do fato e a existência de indícios de autoria ou participação do réu sejam rediscutidas em fases posteriores do processo, exceto em caso de recurso. 

Interrupção da Prescrição

A pronúncia interrompe também o curso do prazo prescricional do crime, isto é, o prazo para que o Estado possa punir o réu. 

Prisão Preventiva

A pronúncia pode ser fundamento para a decretação ou manutenção da prisão preventiva do réu, uma vez que presentes os requisitos legais. 

Limitação da Acusação

A decisão de pronúncia determina os limites do que pode ou não ser alegado na acusação em plenário, buscando evitar influências inadequadas sobre os jurados. 

Natureza Declaratória

A pronúncia consiste em uma decisão interlocutória mista não terminativa, que reconhece a competência do Tribunal do Júri e finda a fase de investigação preliminar. 

Princípio do "In Dubio Pro Societate"

Nesta fase, referido princípio é prevalecente. Ou seja, em caso de dúvidas sobre a materialidade ou autoria, a decisão deve favorecer a sociedade, remetendo o caso ao Tribunal do Júri. 

Cabe frisar que a pronúncia não é uma condenação, configurando apenas um juízo de admissibilidade da acusação, indicando a existência de elementos suficientes para que o caso seja julgado pelo Júri. 

Quando Recorrer da Sentença de Pronúncia?

A decisão de pronúncia pode ser recorrida através do Recurso em Sentido Estrito (RESE). O prazo para a interposição do recurso é de cinco dias, contados a partir da intimação da decisão. 

O recurso tem como objetivo questionar a decisão do juiz que considerou a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade do crime, levando o réu ao julgamento pelo Júri. 

É possível recorrer quando houver:

Inexistência de Indícios Suficientes de Autoria ou Materialidade

Se a defesa entender que não há provas bastantes para levar o caso a julgamento pelo Tribunal do Júri, pode recorrer da decisão. 

Excesso de Linguagem na Pronúncia

Se o juiz, ao proferir a decisão de pronúncia, ultrapassar os limites da análise da admissibilidade da acusação e emitir juízo de valor sobre a autoria ou materialidade, a defesa pode recorrer, alegando excesso de linguagem. 

Qualificadoras Manifestamente Improcedentes

Se, na decisão de pronúncia, o juiz incluir qualificadoras que não se sustentam ante às provas dos autos a defesa pode recorrer, solicitando a sua exclusão. 

Erros ou Omissões na Decisão de Pronúncia

Havendo erros formais ou omissões prejudiciais à defesa na decisão, pode ser cabível o recurso. 

Inadequação do Julgamento pelo Tribunal do Júri

Em casos excepcionais, se a defesa entender que o caso não se enquadra nos crimes de competência do Tribunal do Júri, pode recorrer da decisão. 

Recurso em Sentido Estrito (RESE)

O Recurso em Sentido Estrito (RESE), previsto no artigo 581, inciso IV, do Código de Processo Penal, é o recurso cabível contra a sentença de pronúncia. Referido recurso permite que a decisão de pronúncia seja revisada por um tribunal superior, que poderá confirmá-la, reformá-la, ou determinar a realização de novas diligências. 

O prazo para a interposição do RESE é de cinco dias, contados a partir da intimação da decisão. As razões recursais podem ser apresentadas em até dois dias após a interposição. 

Após isso, o processo segue para o juízo de admissibilidade, que irá verificar se houve a interposição correta do recurso e se a decisão recorrida é passível de RESE. 

O RESE é específico para decisões interlocutórias, enquanto a apelação é utilizada para impugnar decisões que findam o processo. 

Além disso, o RESE possui um rol taxativo de hipóteses de cabimento, enquanto a apelação possui um espectro bem mais amplo de decisões que podem ser recorridas.

Jurisprudência Relevante sobre Sentença de Pronúncia

A jurisprudência é um fator fundamental na interpretação e controle da sentença de pronúncia, para assegurar que o réu somente seja encaminhado ao Tribunal do Júri quando cumpridos os requisitos mínimos de materialidade e indícios de autoria. 

Ausência de Indícios Suficientes

Em muitos casos, os tribunais reformaram decisões de pronúncia ao entenderem que os indícios apresentados eram frágeis ou inexistentes. 

STJ – RHC 158.240/SP – DJe 17/03/2023

Excesso de Linguagem

A sentença de pronúncia limita-se à descrição dos fatos e à análise dos indícios, sem adjetivações que eventualmente possam comprometer a imparcialidade do júri popular.

STF – HC 110.626/SP – DJe 14/06/2012

STJ – HC 571.595/RS – DJe 20/10/2020

Desclassificação Reconhecida em Instância Superior

Uma série de julgados reconhecem que o fato não configura crime doloso contra a vida, havendo a desclassificação para outra modalidade penal e remetido ao juiz singular. 

TJMG – Apelação Criminal 1.0000.22.136385-5/001

As decisões supracitadas demonstram que o recurso contra a pronúncia não é mera formalidade, e sim um instrumento essencial de defesa para impedir que o réu seja submetido a julgamento popular de forma indevida. 

Conclusão

Ao decorrer do artigo, entende-se que a sentença de pronúncia representa um filtro técnico essencial no processo penal do júri, cuja finalidade é garantir que apenas os casos com indícios mínimos de autoria e materialidade sejam encaminhados a julgamento popular. 

A pronúncia não representa uma condenação, nem deve antecipar o juízo de valor do mérito, tratando-se de uma decisão interlocutória mista que exige cuidado, equilíbrio e respeito às garantias constitucionais do acusado. 

Ante a isso, o recurso contra a sentença de pronúncia torna-se uma ferramenta indispensável para evitar injustiças, exposições indevidas e violações ao devido processo legal. Questões como o excesso de linguagem, a desclassificação do delito ou a ausência de indícios devem ser cautelosamente avaliadas pela defesa. 

Para assegurar o uso adequado desse instrumento, recomenda-se a atuação de um advogado criminalista, com experiência na área de Tribunal do Júri, que tenha capacidade para identificar falhas técnicas na decisão e propor os recursos cabíveis.