Uma nova modalidade de golpe tem chamado a atenção das autoridades: criminosos estão se fazendo passar por advogados, utilizando informações reais de processos judiciais para enganar vítimas e induzi-las a transferir valores sob falsas promessas de recebimento de indenizações.
Recentemente, uma mulher, que preferiu não se identificar, foi abordada por ligações e mensagens de aplicativo que continham a foto da advogada verdadeira responsável por seu caso. Acreditando estar prestes a receber uma indenização trabalhista, ela seguiu as orientações dos supostos profissionais, que até mesmo mencionaram o nome de um servidor da Justiça para conferir maior autenticidade ao contato.
Conforme as instruções recebidas, a vítima gerou um QR Code, acreditando que isso viabilizaria o depósito da quantia devida. No entanto, acabou sendo lesada em R$ 9 mil. Somente após perceber o golpe, ela entrou em contato com a verdadeira advogada e formalizou um boletim de ocorrência.
Segundo levantamento da OAB de São Paulo, já foram registradas 3.600 tentativas de fraude envolvendo falsos advogados apenas neste ano. Para enfrentar o problema, uma força-tarefa reúne as denúncias e atua em apoio às investigações. Dados da OAB apontam que 82% desses golpes se originam a partir de informações públicas disponíveis no site do Tribunal de Justiça.
Entre as recomendações para evitar esse tipo de fraude, destacam-se a interrupção imediata de comunicações suspeitas e o contato direto com os escritórios de advocacia responsáveis pelos processos. Já a FEBRABAN orienta que, em caso de golpe, a vítima busque o banco rapidamente, registre boletim de ocorrência e utilize o botão de contestação do PIX nos aplicativos para tentar recuperar os valores transferidos.
Impacto no Dia a Dia dos Advogados
O aumento desses golpes afeta diretamente a prática da advocacia, especialmente nas áreas trabalhista e cível. Advogados devem redobrar a atenção na comunicação com os clientes, adotar canais oficiais e alertar sobre possíveis fraudes. Escritórios precisam investir em segurança da informação e revisar protocolos internos de atendimento. A reputação dos profissionais e a confiança dos clientes ficam em risco, tornando fundamental a adoção de medidas preventivas e educativas para evitar prejuízos e proteger a relação advogado-cliente.