Desde a exibição da cena em que Helena Roitman, vivida por Paolla Oliveira, busca ajuda no Alcoólicos Anônimos, no capítulo de Vale Tudo transmitido em 15 de agosto, o AA no Brasil registrou um crescimento expressivo na busca por apoio. No Rio de Janeiro, o número de ligações e interações nas redes sociais cresceu 150%, totalizando mais de 170 contatos em apenas cinco dias na central telefônica. O aplicativo oficial do AA também acompanhou essa alta, somando 322 downloads em dois dias.
Embora não existam dados consolidados sobre frequência devido ao anonimato, representantes do AA relatam aumento notável de participantes nas reuniões presenciais logo após a exibição do capítulo. Em Minas Gerais, Moreira, representante estadual, afirmou que o crescimento atingiu cerca de 60%, sobretudo entre mulheres, fato considerado inédito na história do grupo local. O vice-presidente nacional do AA, Edelto Tavares Leite, atribui parte do sucesso das reuniões à liberdade oferecida aos membros, sem imposições, julgamentos ou críticas, destacando que o objetivo é evitar o primeiro gole, "um dia de cada vez".
O impacto da novela foi sentido também por pessoas como Geralda, que ingressou no AA após assistir a Vale Tudo, e por Maria, de Pernambuco, que relata ter superado a dependência do álcool graças ao apoio do grupo, conseguindo recuperar a vida pessoal e profissional. Para Carlos, representante do AA na Bahia, abordar o alcoolismo em novelas é essencial para sensibilizar famílias e ampliar a consciência sobre o problema, facilitando o acesso ao tratamento.
A atriz destacou o papel social da arte em provocar debates e desafiar desconfortos, além de oferecer esperança por meio da identificação com personagens. Segundo ela, a convivência com pessoas em tratamento foi fundamental para construir Helena, proporcionando empatia e compaixão ao invés de estigma ou julgamento moral.
O AA atua em todo o Brasil, com cerca de quatro mil grupos e mais de nove mil reuniões mensais, oferecendo apoio complementar e independente para pessoas com dependência alcoólica. Apesar de não haver vínculo formal com o Sistema Único de Saúde (SUS), há cooperação entre as instituições, com encaminhamento de pacientes pelos profissionais da rede pública e participação de membros do AA em hospitais e clínicas de desintoxicação. A dependência do álcool é considerada doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o tratamento é garantido pela Lei do SUS (nº 8.080/90), especialmente nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Impacto no Dia a Dia dos Advogados
O aumento da procura pelo Alcoólicos Anônimos após a repercussão da novela reforça o debate sobre políticas públicas de saúde, direitos do paciente e deveres do Estado, especialmente no âmbito do SUS. Advogados que atuam em Direito Médico, Sanitário e Direito Administrativo podem ser mais demandados em casos de acesso a tratamentos, defesa de direitos de dependentes químicos e questões envolvendo encaminhamentos e cooperação entre instituições como o AA e o sistema público de saúde. Além disso, profissionais que lidam com Direito de Família podem perceber aumento de demandas em situações que envolvem guarda de filhos e vínculos familiares afetados pela dependência alcoólica. A valorização do tema nos meios de comunicação também amplia o campo de atuação para advogados que atuam junto a políticas de saúde, proteção social e direitos humanos.