Um episódio ocorrido em Ribeira do Pombal, Bahia, evidenciou a importância do acesso efetivo à Justiça. O juiz Luiz Carlos Vilas Boas deslocou-se até a residência de um morador da zona rural que, após sofrer um AVC, perdeu a fala e a mobilidade, impossibilitando sua ida ao fórum. Sem estrutura judiciária tradicional e sem sequer acesso à internet no local, o magistrado optou por realizar a audiência presencialmente, no ambiente do próprio jurisdicionado.
Segundo o juiz, essa atitude não representa um ato extraordinário, mas sim o cumprimento do dever de garantir que o Direito chegue a todos, independentemente das circunstâncias. "O fórum é sempre a primeira opção. Se não for possível, tentamos o virtual. Quando nem isso é viável, vamos até onde está a pessoa. Isso faz parte do nosso trabalho", explicou Vilas Boas.
A iniciativa chamou atenção após uma servidora divulgar a foto da audiência itinerante nas redes sociais, provocando grande repercussão. Apesar da viralização, o magistrado afirmou que a prática de audiências fora do fórum é mais comum do que se imagina, especialmente em regiões do interior, onde a população rural depende do Judiciário para além das decisões processuais. "Muitas vezes, as pessoas enxergam o juiz como alguém distante, mas essa percepção não condiz com a realidade. Garantir o acesso à Justiça envolve participação, linguagem acessível e, quando necessário, presença física", destacou.
Para Luiz Carlos, a presença do juiz na comunidade contribui para a pacificação social, além de humanizar o Judiciário e aproximá-lo das pessoas. Ele relata que, durante a visita, teve contato com a rotina local, ouvindo relatos e aprendendo sobre a dinâmica da região. "O juiz precisa conhecer a realidade do jurisdicionado. Isso é parte do ato de julgar. Somos imparciais, mas não podemos ser isentos da sociedade", afirmou.
Com cinco anos de magistratura, Vilas Boas integra uma geração comprometida com a desburocratização e a solução de problemas. Ele reconhece o papel crescente das novas tecnologias e da inteligência artificial na otimização do trabalho, mas ressalta que a decisão final sempre cabe ao ser humano. "A IA agiliza processos, mas a decisão é nossa", ressaltou.
Mesmo diante de um acúmulo de mais de 7 mil processos, o juiz enfatiza que cada caso tem relevância única para quem o vivencia. "Para mim, são milhares de processos. Para aquela família, é o processo mais importante da vida. Não posso negligenciar isso", concluiu.
Impacto no Dia a Dia dos Advogados
A conduta do juiz Luiz Carlos Vilas Boas reforça a necessidade de adaptação da advocacia, principalmente para quem atua no interior e em áreas de difícil acesso. Advogados que lidam com populações vulneráveis, rurais ou com limitações físicas se beneficiam diretamente de uma Justiça mais acessível e humanizada. A decisão evidencia a importância de peticionar de forma clara e de buscar alternativas para garantir a participação dos clientes, inclusive solicitando audiências itinerantes quando necessário. O exemplo também valoriza a atuação empática e proativa do profissional do Direito, influenciando positivamente a imagem da carreira e aproximando o Judiciário da sociedade.