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STJ mantém prisão preventiva de suspeito de liderar garimpo ilegal no Amazonas

STJ nega liminar e mantém prisão preventiva de acusado de liderar garimpo ilegal e exploração de trabalhadores no Amazonas.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por decisão do presidente ministro Herman Benjamin, rejeitou o pedido liminar para revogar a prisão preventiva de um homem apontado como líder de esquema de garimpo ilegal e exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Amazonas. A investigação faz parte da Operação Barões do Filão, cujo objetivo é desarticular organização criminosa voltada à extração clandestina de ouro e à violação de direitos laborais na região conhecida como "Filão dos Abacaxis", ao sul do município de Maués (AM).

De acordo com o Ministério Público, o investigado exercia funções de proprietário e administrador do garimpo, sendo um dos principais responsáveis pela extração e comercialização ilícita do mineral. A defesa apresentou habeas corpus, solicitando a substituição da prisão por medidas cautelares, e alegou constrangimento ilegal, ausência de contemporaneidade entre os fatos e a ordem de prisão, além do uso de depoimentos não constantes nos autos e colhidos de maneira unilateral por agentes ambientais.

O ministro Herman Benjamin, ao analisar o pedido, entendeu que não havia demonstração de flagrante ilegalidade ou urgência apta a justificar a concessão da liminar para revogação da prisão. Ele ressaltou que, conforme entendimento do STJ, alegações de mérito apresentadas pela defesa devem ser apreciadas pelo colegiado competente durante o julgamento definitivo do habeas corpus – neste caso, a Quinta Turma, sob relatoria do ministro Joel Ilan Paciornik – e não em decisão monocrática liminar.

A Operação Barões do Filão teve início a partir da Operação Déja Vu, ocorrida em 2023, e envolveu o cumprimento de mandados de prisão, busca e apreensão, bem como o sequestro de bens avaliados em dezenas de milhões de reais. As ações visam combater os impactos socioambientais e criminais do garimpo ilegal na região.

Para mais detalhes, consulte a íntegra da decisão no Habeas Corpus 1.063.405.

Impacto no Dia a Dia dos Advogados

A decisão reforça a cautela do STJ na concessão de liminares em habeas corpus, especialmente em casos relacionados a crimes ambientais e organização criminosa. Advogados criminalistas e especialistas em Direito Processual Penal devem atentar para a tendência de o tribunal privilegiar a análise colegiada em detrimento da liminar monocrática, exigindo argumentação robusta e demonstração inequívoca de ilegalidade para reversão imediata de prisões preventivas. O entendimento impacta diretamente a estratégia de defesa em crimes ambientais e econômicos, além de influenciar a atuação de advogados que lidam com demandas envolvendo medidas cautelares e direitos fundamentais dos investigados. A atuação em casos complexos e de grande repercussão socioambiental tende a exigir maior preparo técnico e atualização jurisprudencial dos profissionais.